Uma cratera provocada por voçoroca voltou a causar prejuízos e medo na cidade de Buriticupu, a cerca de 415 km de São Luís. Na madrugada desta sexta-feira (1º), parte de uma rua na Vila Isaías foi engolida após o desabamento de um barranco por volta das 3h.
O incidente agravou ainda mais a situação de moradores que vivem nas proximidades da erosão. De acordo com Isaías Cardoso Aguiar, presidente da Associação de Áreas Atingidas por Voçorocas, uma moradora precisou retirar seus pertences às pressas no momento em que o terreno cedeu. A casa dela, localizada à beira da cratera, segue sob risco iminente de desabar.


Avanço das erosões preocupa moradores
Segundo relatos de moradores e dados da associação local, Buriticupu convive com esse tipo de erosão há cerca de quatro décadas. Nesse período, mais de 30 crateras foram registradas na cidade, afetando diretamente mais de 360 famílias e resultando em pelo menos sete mortes.
A situação se torna ainda mais crítica durante o período chuvoso, quando o solo fica encharcado e instável, aumentando significativamente o risco de novos deslizamentos e desabamentos.
Medidas para conter o problema
Especialistas apontam que é possível reduzir o avanço das voçorocas com medidas preventivas e de recuperação ambiental. O professor Fernando Bezerra, da Universidade Estadual do Maranhão, destaca a importância da preservação da cobertura vegetal como uma das principais estratégias.
Segundo ele, é fundamental evitar o desmatamento e as queimadas, além de proteger áreas próximas a encostas e nascentes. Entre as soluções indicadas estão o desvio do fluxo de água que alimenta as erosões, o plantio de espécies arbóreas nas bordas e no interior das crateras, e a aplicação de técnicas de bioengenharia do solo.
O especialista também reforça a necessidade de retirada de famílias que vivem nas áreas de risco, como forma de prevenir novas tragédias e garantir a segurança da população.