O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou, na tarde desta quinta-feira (5), sua renúncia ao cargo em meio a uma grave crise financeira envolvendo o Ueno Bank, instituição ligada a antigos sócios do chefe de Estado. A decisão foi comunicada por meio de um vídeo publicado nas redes sociais.
Ao justificar a saída, Peña afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas.
“Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, declarou o agora ex-presidente, que também pediu desculpas à população caso tenha falhado durante sua gestão.
Peña afirmou ainda que sua principal preocupação é garantir tranquilidade aos paraguaios que confiaram suas economias ao sistema financeiro do país.

Crise bancária e pressão política
A renúncia ocorreu em meio ao avanço de um processo de impeachment no Legislativo paraguaio. Antes do anúncio, a principal bancada governista havia declarado apoio ao afastamento do presidente, aumentando a pressão política sobre o governo.
O presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), conhecida como Partido Colorado, também manifestou apoio ao julgamento político de Peña. A legenda afirmou que não apoiaria qualquer medida que representasse prejuízo aos recursos públicos, privados e às economias dos aposentados.
A Câmara dos Deputados já havia iniciado uma sessão para analisar as acusações contra o presidente. Com o apoio de diferentes grupos políticos, o processo poderia avançar para o Senado, onde seria realizado o julgamento sobre uma eventual destituição.
Entenda a crise envolvendo o Ueno Bank
A crise ganhou grandes proporções depois que milhares de paraguaios foram às ruas de Assunção, na terça-feira (3), para cobrar a liberação de seus recursos depositados no Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras digitais do país.
O banco foi colocado sob intervenção após questionamentos sobre sua capacidade de honrar compromissos financeiros. A situação provocou preocupação entre clientes e investidores, levando o Banco Central do Paraguai a adotar medidas de controle sobre recursos da instituição.
Na quarta-feira (4), o órgão regulador também suspendeu temporariamente os saques de determinados fundos de investimento vinculados ao banco.
A dimensão da crise é significativa: segundo as informações divulgadas, a instituição atendia quase metade da população paraguaia, estimada em 6,4 milhões de habitantes.
Para reduzir os prejuízos dos clientes, o Banco Central anunciou a antecipação do pagamento da garantia do Fundo de Garantia de Depósitos, limitada a 40 salários mínimos, com desconto de eventuais dívidas dos beneficiários com a instituição.
Prisões e investigação
A Justiça paraguaia também determinou a prisão preventiva de oito pessoas suspeitas de envolvimento na crise bancária. Entre os investigados estão o presidente do Ueno Bank, Juan Manuel Gustale, e o diretor-executivo da instituição, Federico Miguel Vázquez.
O caso provocou uma forte turbulência política e financeira no Paraguai, colocando em questionamento a estabilidade do sistema bancário e aumentando a pressão sobre o governo de Santiago Peña.
Com informações do Estadão Conteúdo e da imprensa paraguaia.