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GAECO DEFLAGRA OPERAÇÃO E BLOQUEIA ATÉ R$ 621 MILHÕES EM BENS E VALORES NO MARANHÃO
Por Henrique Sampaio
Publicado em 16/09/2026 08:51 • Atualizado 16/09/2026 08:52
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IMPERATRIZ (MA) – O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) deflagrou, nesta terça-feira (15), a Operação Faenerator, para investigar um grupo suspeito de envolvimento com agiotagem, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra a Administração Pública.

A operação foi realizada nos municípios de Imperatriz, João Lisboa e Buritirana. Por determinação da Justiça, foram autorizados o bloqueio e a indisponibilidade de até R$ 621,4 milhões em bens e valores relacionados aos investigados.

A medida pode alcançar recursos financeiros, imóveis, veículos, aeronaves, embarcações e outros patrimônios. Equipes também cumpriram buscas em residências, empresas e propriedades rurais, com autorização para apreender e analisar equipamentos eletrônicos encontrados durante as diligências.

Investigação aponta possível relação com contratos públicos

Segundo o Gaeco, a investigação teve origem no cruzamento de informações obtidas em operações anteriores, entre elas Regalo, Timoneiro e Pavimentum.

Essas apurações já haviam identificado possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos e empresas contratadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura de Imperatriz (Sinfra).

Na nova investigação, o foco está em um suposto núcleo financeiro que teria fornecido recursos para empresas envolvidas em contratos e obras públicas no município. Algumas dessas empresas já haviam sido citadas em investigações anteriores relacionadas a possíveis desvios de recursos da Sinfra.

As suspeitas investigadas remontam, pelo menos, ao ano de 2017.

Empréstimos com cobrança de juros

De acordo com os elementos reunidos na investigação, o grupo teria realizado empréstimos de dinheiro para empresários com cobrança de juros entre 3,5% e 4% ao mês, além de encargos em casos de atraso.

As operações, segundo a apuração, seriam realizadas sem garantias formais, utilizando principalmente cheques e notas promissórias mantidos fora do sistema bancário, o que dificultaria o rastreamento das movimentações.

Também foram identificadas empresas com movimentações financeiras consideradas incompatíveis com as atividades declaradas.

Um dos casos citados envolve uma clínica odontológica que teria declarado faturamento médio mensal de aproximadamente R$ 13 mil, mas movimentado cerca de R$ 143,8 milhões entre 2019 e 2024.

Recursos teriam circulado por diferentes meios

Ainda conforme a investigação, os suspeitos teriam utilizado diferentes mecanismos para movimentar os recursos, incluindo transferências bancárias, PIX, depósitos fracionados, contas de passagem, pessoas interpostas e saques em espécie.

Parte do dinheiro também teria sido destinada à aquisição e revenda de bens de alto valor, como veículos de luxo, veículos pesados, aeronaves, helicópteros, embarcações e propriedades rurais.

Outra frente da apuração investiga o possível pagamento de despesas pessoais relacionadas a agentes públicos e pessoas politicamente expostas (PEPs).

Justiça autoriza bloqueio de até R$ 621 milhões

O bloqueio patrimonial foi autorizado pela Justiça como medida para atingir financeiramente a estrutura investigada e preservar bens que possam estar relacionados aos crimes apurados.

O valor máximo determinado é de R$ 621.455.220.

O Gaeco continua realizando o levantamento dos bens e valores efetivamente encontrados durante a operação, além de dar prosseguimento às demais medidas da investigação.

A ação é coordenada pelo Núcleo Regional do Gaeco em Imperatriz, com apoio da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), da Polícia Militar e do Centro de Apoio aos Promotores de Justiça de Investigação Penal (Caei) do Ministério Público do Maranhão.

Prefeitura de Imperatriz se manifesta

Em nota, a Prefeitura de Imperatriz afirmou que os fatos investigados ocorreram em 2017, durante a gestão anterior.

A administração municipal informou ainda que, até o momento, não recebeu comunicação oficial sobre quais empresas estariam envolvidas na investigação. Segundo a prefeitura, caso seja formalmente solicitada pelas autoridades, serão prestados os esclarecimentos e fornecidos os documentos necessários.

A investigação segue em andamento, e os envolvidos são considerados investigados, não havendo, até o momento, condenação definitiva pelos fatos apurados.

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