O drama do desaparecimento de duas crianças na zona rural de Bacabal ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (19), durante entrevista concedida por Clarice, mãe dos meninos, ao repórter Romarinho.
A conversa aconteceu na comunidade quilombola do povoado São Sebastião dos Pretos, onde a família vive, e expôs não apenas a dor da mãe, mas também relatos que podem reforçar a hipótese de que as crianças não desapareceram sozinhas.


Convicção de mãe: “Meus filhos estão vivos”
Abalada após quase três meses sem notícias, Clarice foi categórica ao afirmar que acredita que os filhos estejam vivos.
“Nunca veio na minha mente que meus filhos estão mortos. Se estivessem, eu já teria encontrado”, declarou.
Segundo ela, as crianças não teriam condições físicas de percorrer sozinhas o trajeto entre comunidades, especialmente por não terem experiência com mata fechada e por apresentarem limitações, como alergias severas a insetos.
Suspeita de ação criminosa ganha força
Durante a entrevista, Clarice reforçou a principal suspeita que sustenta desde o início do caso: os filhos teriam sido levados por terceiros.
“Se eles chegaram lá, foi com alguém. Desde o começo eu falei: meus filhos foram levados.”
A mãe também revelou que o menino Cauã, encontrado dias após o desaparecimento, teria relatado que um homem retirou sua roupa e o deixou no local, levando as outras duas crianças — identificadas como Belinha (Isabelle) e Michael.
O relato, segundo ela, já foi repassado à polícia.
Informações sobre possível travessia de rio
Outro ponto que chama atenção são informações, ainda não confirmadas oficialmente, de que um pescador teria visto duas pessoas atravessando crianças de um lado para o outro de um rio durante a madrugada.
De acordo com a entrevista, essa linha de investigação chegou a ser mencionada por autoridades à família, mas não houve atualizações recentes.
Críticas à condução das buscas
Clarice também questionou a atuação das autoridades, afirmando que houve perda de tempo nas buscas iniciais concentradas na mata.
“Eles perderam muito tempo aqui. Só foram para outra área depois que encontraram o Cauã.”
Ela ainda relatou dificuldades para obter informações:
“Eu mando mensagem e não respondem. Fui na delegacia e não tinha ninguém.”
Segundo a mãe, atualmente não há mais força-tarefa atuando diretamente na comunidade.
Silêncio, julgamentos e dor
A mãe explicou que permaneceu em silêncio por muito tempo por orientação e medo de prejudicar as investigações, além de ter sido alvo de críticas nas redes sociais.
“Fui muito julgada. Acabei tendo medo de falar e atrapalhar. Eu só queria meus filhos de volta.”
Em um dos momentos mais emocionantes, ela revelou o impacto psicológico da tragédia:
“Eu não tenho mais alegria. Eu só quero meus filhos de volta.”
Apelo comove e mobiliza
Ao final da entrevista, Clarice fez um apelo direto a quem possa ter qualquer informação:
“Me entreguem meus filhos. Coloquem em um lugar que alguém possa encontrar. Eu só quero eles de volta.”
O repórter também reforçou o pedido e destacou a mobilização para oferecer recompensa a quem ajudar com informações concretas sobre o paradeiro das crianças.
Caso segue sem solução
Apesar das novas revelações e da comoção crescente, o caso segue sem respostas concretas. A expectativa da família é que as autoridades retomem as investigações com mais intensidade e que novas pistas possam levar ao paradeiro das crianças.
Enquanto isso, a dor e a esperança caminham juntas no coração de uma mãe que se recusa a desistir.
Assista a entrevista: