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Buscas por Ágata Isabelle e Allan Michael completam 11 dias em Bacabal
Por Henrique Sampaio
Publicado em 14/01/2026 06:59 • Atualizado 14/01/2026 07:28
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As buscas pelas crianças Ágata Isabelle, de 5 anos, e Allan Michael, de 4 anos, completaram 11 dias nesta quarta-feira (14) em Bacabal, no Maranhão. As equipes concentram os trabalhos nos arredores do povoado São Sebastião dos Pretos, área onde as crianças desapareceram e que registrou chuva na noite de terça-feira (13), fator que dificulta ainda mais as operações.

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), a área delimitada para as buscas equivale a cerca de 400 campos de futebol. A informação foi confirmada pelo major Pablo, em entrevista à TV Mirante. Para garantir maior controle, as equipes utilizam um aplicativo de monitoramento, no qual cada agente registra automaticamente o trajeto percorrido, evitando retrabalho e assegurando que toda a região seja devidamente vasculhada.

Segundo as forças de segurança, grande parte da área já foi analisada, com apoio fundamental de voluntários, que reforçam o efetivo diariamente. Ao todo, mais de 600 pessoas participam da força-tarefa.

Dor e angústia da família

Pela primeira vez desde o desaparecimento, a mãe das crianças, Clarice Cardoso, falou publicamente sobre o sofrimento da espera. Emocionada, ela relatou o impacto psicológico da ausência de notícias.

“Eu só espero que encontrem meus filhos. Se alguém pegou, quero saber quem foi e por quê. É isso que passa na minha cabeça o tempo todo”, desabafou.

Clarice afirmou que não sabe o que pensar sobre a possibilidade de as crianças estarem na mata, já que diversas áreas da zona rural foram vasculhadas sem que nenhuma pista fosse encontrada. Ela contou ainda que enfrenta dificuldades para dormir e se alimentar. “Tem sido muito difícil. Precisei tomar remédio para dormir, não conseguia comer. É uma dor que não desejo para ninguém”, disse.

A avó das crianças, Francisca Cardoso, também relatou a angústia vivida pela família. Segundo ela, o fim da tarde é o momento mais difícil, quando a esperança se mistura ao medo de não encontrar os netos.

Desaparecimento e força-tarefa

Ágata Isabelle e Allan Michael desapareceram na tarde de domingo, 4 de janeiro, após saírem para brincar em uma área de mata no Quilombo de São Sebastião dos Pretos, zona rural de Bacabal. Desde então, os trabalhos seguem ininterruptos, 24 horas por dia.

A força-tarefa reúne equipes da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-MA), Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Força Estadual, Centro Tático Aéreo (CTA), setores de Inteligência, Perícia Oficial, além de equipes da Prefeitura de Bacabal, Guarda Municipal, Defesa Civil e militares do Exército Brasileiro, por meio do Batalhão de Infantaria de Selva.

Caso Anderson Kauã

Três dias após o desaparecimento, Anderson Kauã, de 8 anos, que também havia sumido, foi encontrado por produtores rurais. Ele estava nu, desorientado e segue internado no Hospital Geral de Bacabal, onde recebe acompanhamento médico e psicológico.

Na terça-feira (13), o governador Carlos Brandão informou que exames descartaram violência sexual contra o menino. Apesar de ter sido encontrado debilitado, os laudos confirmaram que não houve abuso.

Por se tratar de uma criança com transtorno do espectro autista (TEA), Anderson só será ouvido por profissionais especializados, conforme determina a Lei da Escuta Protegida (Lei nº 13.431/2017). Quatro peritos do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA) já estão no município e iniciaram entrevistas com familiares. A escuta especializada do menino ocorrerá em momento oportuno e pode ajudar a esclarecer o caso.

Investigações seguem em andamento

Segundo o delegado-adjunto de Apoio Operacional, Éderson Martins, a principal linha de investigação continua sendo o desaparecimento das crianças, mas outras hipóteses não foram descartadas.

As equipes enfrentam terreno de difícil acesso, com vegetação fechada, áreas alagadas, rios, lagos e armadilhas. Durante a noite, os bombeiros utilizam drones com câmeras térmicas, capazes de identificar seres vivos pela variação de temperatura. “É uma mata fechada, um ambiente inóspito”, destacou o comandante da PM-MA, coronel Wallace Amorim.

Enquanto as buscas avançam, a comunidade segue mobilizada, unida pela esperança de encontrar Ágata Isabelle e Allan Michael com vida.

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