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Entrevista exclusiva: agrônomo alerta para chuvas irregulares e possível queda na safra no sertão do Maranhão
Por Henrique Sampaio
Publicado em 07/01/2026 06:44 • Atualizado 07/01/2026 06:49
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Em entrevista exclusiva à Sertão Web, o repórter Henrique Sampaio conversou com o agrônomo Dr. Ivo Marquis Beserra, referência na área agrícola da região, para esclarecer as principais dúvidas do agricultor familiar sobre o comportamento das chuvas e as perspectivas para a safra 2025/2026. A entrevista, já tradicional e realizada todos os anos, tem como objetivo orientar quem vive diretamente do campo.

Segundo o agrônomo, o atual período chuvoso apresenta diferenças significativas em relação aos anos anteriores, tanto no volume quanto na distribuição das chuvas. Embora dezembro tenha registrado precipitações — incluindo uma chuva expressiva de cerca de 79 milímetros —, o problema está na irregularidade. “São chuvas espaçadas, de 8, 10, 15 milímetros, e muito localizadas. Chove em um ponto e, a poucos quilômetros, não chove nada. Isso não é o ideal para a agricultura familiar”, explicou.

Janeiro preocupa produtores

De acordo com Dr. Ivo, as chuvas de dezembro estavam dentro das previsões meteorológicas, porém janeiro inspira maior preocupação. A previsão indica um volume ainda menor de chuvas, com períodos prolongados de sol intenso. “Janeiro, fevereiro e março sempre foram os meses mais importantes do inverno aqui na região. Hoje, esse padrão mudou. O inverno ficou mais curto e mais concentrado, e agora nem janeiro está garantindo boas chuvas”, afirmou.

Essa irregularidade pode afetar diretamente o plantio já iniciado por muitos agricultores. “Se faltar chuva na fase de germinação, a terra seca rápido, o sol é forte e o grão não nasce. Replantar é algo que o agricultor evita, e muitas vezes nem consegue fazer”, alertou.

Safra deve ser menor em 2025/2026

Ao falar sobre a produção agrícola, o agrônomo avaliou que a safra deste ano tende a ser menor em relação à anterior. A estimativa é de uma redução de cerca de 20% da área plantada. Milho e soja continuam sendo as principais culturas de maior escala, enquanto o arroz segue restrito à agricultura familiar, voltado basicamente para subsistência.

Dr. Ivo também destacou que o agronegócio vem avançando na região, especialmente com soja e milho, impulsionando a economia local. No entanto, o agricultor familiar segue produzindo em pequenas áreas, com milho, feijão, arroz e criação de pequenos animais, enfrentando cada vez mais dificuldades com a redução das chuvas.

Crédito, seguro e armazenamento de água

Outro ponto enfatizado na entrevista foi a necessidade de o agricultor familiar perder o receio do crédito rural. Segundo o agrônomo, os bancos não têm interesse em tomar terras, mas sim em garantir produção. “Em caso de perdas por estiagem, as dívidas são prorrogadas. Além disso, o seguro agrícola é fundamental para proteger o produtor”, orientou.

Ele também chamou atenção para a importância da construção de açudes, tanto para agricultores quanto para pecuaristas. “Em períodos longos de seca, o pasto acaba, mas a água salva os animais. Açudes bem estruturados são essenciais para a sobrevivência no sertão”, afirmou.

Dependência do campo

Ao final da entrevista, Henrique Sampaio ressaltou que a economia regional depende fortemente da produção rural. “Quando a safra é ruim, tudo é ruim: comércio, festas, eventos. Não temos indústrias, vivemos do que o campo produz”, destacou.

Dr. Ivo encerrou reforçando que previsões climáticas podem mudar e que a mais confiável é de curto prazo. “Quem manda mesmo é a natureza. A gente torce para que as previsões mudem e que chova bem no sertão do Maranhão”, concluiu.

A entrevista reforça a importância da informação para o homem do campo, especialmente em um cenário de mudanças climáticas e incertezas sobre o futuro da produção agrícola.

Assista a entrevista na íntegrar:

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